Depois de acabar o filme, enquanto conversava com amigos sobre o magistral longa que eu havia acabado de consumir, consegui entender o que faz de "A vida é bela" um filme tão incrível. O título é muito autoexplicativo, e enganam-se aqueles que acham que o objetivo principal do filme é relatar a vida em um campo de concentração, as consequências do nazismo e fascismo e a vida durante a guerra. Acredito que esses sejam temas que apenas circulam a trama principal. O objetivo que o filme tem enquanto obra crítica é mostrar que a vida realmente é bela para alguns, mesmo quando a sociedade não quer que ela seja, e que o otimismo e amor de um homem podem até desconstruir a vida em um campo de concentração no qual ele e seu filho estão aprisionados. As cenas do filme são excelentes no quesito de diversidade de sentimentos em uma mesma sequência. Em muitas cenas eu não sabia se chorava, ria ou ficava tenso. Mesmo se passando em um campo de concentração, mesmo lidando com a morte total da humanidade no período que a humanidade viveu durante o nazismo e o fascismo, "A vida é bela" consegue ser um filme belo. O filme é italiano, dirigido e atuado por Roberto Benigni. Guido (Roberto Benigni) é um judeu dono de uma livraria, casado com Dora (Nicoletta Braschi) e pai de Giosué (Giorgio Cantarini), e com certeza o homem que leva a vida com a maior serenidade alcançada pela humanidade. A família é levada a um campo de concentração nazista, os pais são forçados a trabalhar, e Giousé precisa se esconder constantemente dos soldados para não ter o mesmo fim das outras crianças. Para fazer com que o filho não seja psicologicamente atingido pela rotina no campo de concentração, Guido conta para o filho que na verdade todos ali está jogando um jogo, e trabalhando por pontos para conseguir o prêmio máximo: um tanque de guerra. O filme é lindo e aterrador ao mesmo tempo.
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Os sonhadores (2003), de Bernardo Bertolucci - recomendo esse filme com todas as minhas forças.
Henri Langlois foi um dos maiores arquivistas de materiais cinematográficos da história do cinema, e obviamente um dos maiores cinéfilos de todos os tempos. A sua relevância no filme Os sonhadores (2003) é baseada em um de seus legados: o Cinémathèque Française, uma organização de cinéfilos que até hoje tem um dos mais amplos arquivos de cinema da história. O fascínio de Matthew pelo Cinémathéque, um jovem que decidi partir dos Estados Unidos para aprender sobre cinema e a língua francesa em Paris, leva o garoto a trilhar caminhos muito diferentes daqueles que estava acostumado em seus primeiros dias na capital francesa. Quando conhece Isabelle e seu irmão Theo, ambos cinéfilos como ele, a vida de Matthew em Paris começa a se transformar, com sentidos e rumos diferentes dos de praxe.
Além do clima cinematográfico, e do fervor nas discussões sobre cinema entre os três jovens, a política e as manifestações que estavam acontecendo durante a década de sessenta na França são particularmente marcantes. O fervor das manifestações estudantis que buscavam o pensamento progressista e libertário, afirmando que o conservadorismo deveria ser deixado de lado, mostra uma sociedade que buscava mais liberdade. O tipo de liberdade que não é de graça, e sim conquistada, e no caso da França de 1968, as lutas sociais concretizaram-se em uma grande greve no dia 30 de maio de 1968. É nesse clima político que os jovens fumam, bebem, transam, debatem, consomem cinema e uns aos outros. Matthew em alguns momentos é contraditório em seu discurso, principalmente quando diz que é contra qualquer tipo de violência, mas não faz críticas ferrenhas ao governo dos EUA que estava envolvido na Guerra do Vietnã. O fato de Theo ter um estátua do Mao no seu quarto e recitar passagens do Livro Vermelho diz muitos sobre os seus ideais. Durante todo o longa, Isabelle não se envolve nas conversas. Ela prefere falar dos prazeres da vida, e não apenas discursar, mas também experimentar.
A primeira visita à casa dos irmãos, Matthew conhece um pouco mais da família dos dois. A mãe britânica aparece apenas em duas cenas, e não tem uma maior participação. O pai, poeta que fez um monólogo durante o primeiro jantar com Matthew, não tem uma relação muito boa com os filhos. Quando os dois decidem sair para viajar por alguns dias, Matthew, a pedido de Theo e Isabelle, compartilha da casa vazia com os dois irmãos franceses. O quadro de Delacroix que Matthew encontra no seu quarto provisório diz muito sobre alguns conceitos que o filme aborda e discute: a liberdade, a arte sem pudor e o repúdio a tudo que é autoritário e conservador. Nos dias em que os três jovens passam juntos, além de discutirem sobre cinema e de beberem os vinhos finos dos pais de Theo e Isabelle, transam muito entre si e tentam descobrir que tipo de relação está acontecendo naquela casa parisiense. Já aviso de antemão que o filme não tem pudor nenhum em retratar as cenas de sexos. A primeira transa entre Isabelle e Matthew acontece no chão da cozinha, enquanto que Theo prepara um omelete com um cigarro pendendo do canto da boca. Talvez não seja o melhor filme para os conservadores de plantão. As cenas de nudez, em minha opinião, retratam a busca pela liberdade, a nudez de preconceitos e total despreocupação com padrões. Recomendo esse filme com todas as minhas forças!
Assisti à primeira temporada de Bates Motel e o que eu achei da série.
Antes de começar a assistir à série, eu já tinha visto o filme "Psycho" do Hitchcock, o que fez com que eu achasse apenas mais interessante acompanhar o passado dos personagens que eu tinha tido o primeiro contato com o thriller incrível do diretor já mencionado. A cidadezinha do interior de Oregon que funciona como cenário para Bates Motel tem todo um clima de cidade do interior característica de filmes/séries/livros de horror. Montanhas com topos cobertos de neve, um porto em funcionamento, florestas de pinho, escola com professores estranhos e, obviamente, um hotel de beira de estrada administrado por uma família de psicopatas (bem, nem todos são psicopatas).
A série tenta mostrar o que teria acontecido na vida do Norman Bates, que é o dono do Bates Motel no filme do Hitchcock. Quem já viu o longa sabe que Norma (mãe do Norman) apenas aparece no final do filme. Após a morte do marido, Norma tenta iniciar uma nova vida com o filho em uma cidade em Oregon; compra um hotel na estrada que estava sendo leiloado devido a dívidas do antigo dono, e muda o nome do hotel para Bates Motel. A série começa com os dois dentro de um carro, andando em direção a nova vida que querem construir com aquele hotel. Quando a característica residência da família Bates é apresentada na série, eu realmente fiquei impressionado com essa diferente representação de um local tão característico para o mundo do thriller/horror.
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| Bates Motel (2013) |
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| Psycho (1960) |
A série apresenta o lado adolescente de Norman em inúmeras ocasiões, seja na escola com seus dilemas em encontrar amigos, ou com indecisões amorosas. O modo inocente de agir do garoto somado com a proteção que Norma deposita nele geram cenas que produzem muita raiva para quem está assistindo - até você entender o motivo de alguns atos. Logo no primeiro episódio já conseguimos ver que existe algo errado no comportamento dos dois. Eu fiquei me perguntando se seria o caso de ambos serem psicopatas; ou apenas um deles. Alguns personagens secundários são muito interessantes, como por exemplo a Emma, uma menina que sofre de uma doença respiratória e acaba se apaixonando pela personalidade insossa do Norman. Uma das cenas mais engraçadas da série talvez seja protagonizada por ela, quando recebe um cupcake "mágico" e fica filosofando sobre assuntos pertinentes (ou nem tão pertinentes assim). O próprio pai de Emma é um personagem que eu queria ter visto mais durante os episódios; um britânico que tem a taxidermia como seu principal passatempo. Dylan é o irmão mais velho de Norman, trabalha em uma plantação de maconha na cidadezinha e no início da temporada age como um outsider da família.
Gostei bastante do final da temporada, não foi muito surpreendente, mas gostei bastante. Vamos ver como Bates Motel vai continuar depois dessa primeira temporada acima da média.
Cinema: Léo e Bia (de Oswaldo Montenegro)
Estruturado nas bases criativas de uma peça teatral, "Léo e Bia" é definitivamente uma experiência cinematográfica ímpar no cenário do cinema brasileiro. Eu comparo assistir a este filme a ler poesia; muitas vezes é necessário ter um olhar mais questionador e aberto às metáforas que estão presentes em praticamente todas as cenas. O cenário é o mesmo ao longo do filme, o que realmente muda é a posição de determinado móvel ou estrutura do set. O fato do filme ser praticamente uma peça de teatro gravada na íntegra possibilita ao espectador observer as técnicas dramaturgas dos atores ao extremo. Alguns elementos, como a mudança temporal ou geográfica, ao longo da história são expressados simplesmente pela mudança da luz, ou até mesmo pela mudança física dos objetos pelos próprios atores em cena. A obra conta com pouquíssimos cortes e ótimos monólogos de praticamente todos os atores. Sem contar a trilha sonora que é MPB de primeira.
"Léo e Bia" retrata um grupo de amigos, autodenominados de burgueses e privilegiados, enquanto buscam o sonho de construir a vida no teatro. Moram em Brasília no final da década de setenta, quando o movimento hippie nos EUA estava em seu auge, e aqui na América Latina a democracia sofria pedradas com as ditaduras militares. "Cabelo" é o único integrante do grupo teatral que não mora no plano piloto - é negro, homossexual, pobre, admirador da cultura francesa e definitivamente o mais culto do grupo. Os dramas passados por Cabelo demonstram as lutas que a comunidade LGBT travava durante a ditadura militar (ainda hoje na verdade, uma luta que se mostra constante), um aspecto que já foi retratado por muitos artistas, em especial Caio Fernando Abreu (coincidentemente eu escrevi uma resenha de Morangos Mofados dois dias atrás, no mesmo dia que Caio Fernando Abreu faria setenta anos de idade).
A homossexualidade não é o único tópico de extrema relevância que é tratado ao longo do filme. Por se passar durante o auge do período ditatorial, temas como o fascismo, a repressão e a falta de liberdade artística são duramente criticados pela obra. Uma das falas mais marcantes para mim foi proferida pelo personagem de Pedro Nercessian, "Encrenca", na qual ele diz algo como: "o povo é burro, o povo elegeu Hitler". Essa primeira frase gera uma grande discussão entre os integrantes do grupo sobre as qualidades e os defeito do povo, algo que acho ser muito pertinente no atual cenário em que estamos vivendo (cada vez mais sou adepto de que a história e as civilizações seguem um ciclo). Encrenca é o cara do grupo que só quer fumar um baseado e ficar bêbado; não se importa muito com as inconstâncias da vida fora do grupo de teatro, quer é ser feliz fazendo o que ama.

Léo e Bia são um casal, sendo Léo o diretor das peças e Bia uma das melhores atrizes. Bia sofre muita repressão pelo lado de sua mãe, que sempre a perscruta com um olhar crítico. A mãe da menina sempre indaga a filha se ela está transando com Léo, se está usando anticoncepcional, sobre suas notas na escola, etc. O caráter austero da mãe é tão bem trabalhado que durante umas das cenas em que a peça teatral está passando pelo censor da ditadura, a mesma atriz que interpreta a mãe de Bia toma o papel de censor da peça de teatro, em uma cena repleta de metáforas e aquele exagero magnífico que o teatro consegue nos passar.
Se eu tivesse que dar mais um argumento para convencer você a assistir ao filme, seria que os personagens são humanos ao extremo, carismáticos, brasileiros como nós, gente como a gente. O elenco realmente conseguiu transmitir toda uma gama de dramas muito particulares com uma maestria sublime. Você pode encontrar o filme no próprio canal do diretor no Youtube, clicando aqui.
"Deux jours, une nuit" - "Dois dias, uma noite" (2014) - um filme com personagens socialmente representados.
O título do longa dos diretores Jean-Pierre Dardenne ("The son", "Le silence de Lorna") e Luc Dardenne ("Le promesse", "The son") diz muito sobre o desenvolvimento de sua trama; um filme que retrata a busca de uma trabalhadora pela dignidade de poder continuar com seu emprego, durante um final de semana, por isso "Deux jours, une nuit" ("Dois dias, uma noite" - o tempo que resta para ela tentar manter seu cargo na fábrica em que trabalha).
Jean-Marc, uma espécie de coordenador do setor em que Sandra trabalhava, estabelece para o restante dos trabalhadores que eles poderiam optar entre receber um bônus de mil euros, ou manter Sandra no seu emprego. Logo nos primeiros momentos do filme já somos confrontados com um impasse social e ético muito grande; de quem realmente é a culpa por essa situação? De Sandra que estava passando por um período difícil devido à depressão? Dos trabalhadores que votaram pelo bônus? Ou do chefe da fábrica que impôs uma decisão tirânica e injusta sobre os trabalhadores? Essa reflexão gerada pelo conflito entre trabalhador-patrão já garantiu um apreço pelo filme da minha parte; eu ainda não havia assistido a um filme que retratasse essa mazela da organização da nossa sociedade. Sandra, que perdeu a votação na primeira reunião - sem ao menos ser avisada - decide pedir uma segunda votação, para ter tempo de conversar com todos seus colegas em particular, e de algum modo tentar convecê-los a abrir mão do bônus para deixá-la ficar com seu emprego.
As angústias de Sandra, que é obviamente a personagem mais retratada ao longo do filme, passam por sua doença, pela necessidade de manter seu emprego - mesmo ela sabendo que, se mantivesse seu cargo, o ambiente de trabalho não seria dos melhores - e a impotência e até mesmo vergonha de falar com seus colegas trabalho. Sandra sabe que todos - ou quase todos - realmente precisam do bônus; são da classe trabalhadora, possuem filhos, alguns aparentemente são imigrantes e possuem contratos que podem ser cancelados, etc. "Deux jours, une nuit", filmado na Bélgica, é um filme que retrata personagens socialmente desfavorecidos de uma forma muito sutil e cirúrgica.
"Entre les murs" ou "Entre os muros da escola".
Como eu gosto de encontrar filmes que retratem algo tão essencial quanto a educação nos ambientes sociais mais diversos; e em "Entre les murs", filme que recebeu a premiação de Palme d'or no festival de Cannes em 2008, encontramos isso em sua forma mais sincera e fidedigna. Praticamente o filme inteiro se passa na sala de aula, com a relação do professor François com seus alunos, esses que são originários de vários países e inseridos em culturas diferentes na sociedade dos subúrbios de Paris.
Como eu já disse antes, o diálogo que constrói toda a narração é incrivelmente bem construído, mas o que realmente brilha no filme é a sinceridade com que a profissão do professor, e eu diria até sua suma importância em uma sociedade, é relatada. Arrisco dizer que noventa por cento do filme se passa dentro de uma sala de aula nos subúrbios de Paris, e isso em si já diz muito sobre o filme. A cena inicial, com os professores se apresentando para os colegas de trabalho, retrata muito bem o vigor que muitos apresentam para encarar os desafios da profissão. Acredito que "Entre les murs" consegue retratar um professor ao mesmo tempo frágil, sem apoio da sociedade e do Estado, mas também uma figura forte, com princípios e que realmente possui noção da importância do seu trabalho.
Cinema francês tem algo especial, e com esse filme meu gosto por ele apenas reacendeu. Se compararmos "Entre les murs" com "Freedom writers" (Escritores da liberdade), um filme americano da mesma temática, conseguimos enter a grande lacuna entre dois tipos bem diferentes de cinema. Enquanto que no cinema de Hollywood a trama precisa apresentar um clímax, algo que entretenha, no outro, conseguimos apenas admirar bons diálogos e uma bela história fidedigna.
See you mates.
Cinema francês tem algo especial, e com esse filme meu gosto por ele apenas reacendeu. Se compararmos "Entre les murs" com "Freedom writers" (Escritores da liberdade), um filme americano da mesma temática, conseguimos enter a grande lacuna entre dois tipos bem diferentes de cinema. Enquanto que no cinema de Hollywood a trama precisa apresentar um clímax, algo que entretenha, no outro, conseguimos apenas admirar bons diálogos e uma bela história fidedigna.
See you mates.
Voltando a consumir cinema e Lady Bird.
Durante uma daquelas conversas que temos com nós mesmos, fiquei pensando qual era o motivo de eu gostar de filmes como Frances Ha, com atuação de Greta Gerwig, e Lady Bird, com direção de Greta Gerwig; consegui chegar na conclusão que esse tipo de filme consegue fazer algo que o cinema de massa dos EUA dificilmente consegue: trazer o humano para o centro do enredo. É difícil encontrarmos filmes que falem apenas do ser humano, seus problemas íntimos, angústias e relações; normalmente consumimos tramas mega elaboradas, com personagens excepcionais e aventuras deslumbrantes. Um filme que consegue ser incrível tratando de temas banais, do cotidiano, para mim, é um filme que se destaca.
Nunca fui de acompanhar as premiações do Oscar, não acredito muito na credibilidade das nomeações, e ainda acho que falta muita diversidade nas premiações cinematográficas. Mas, depois de toda a poeira ter baixado (como eu normalmente faço), fui conferir alguns filmes. O único que eu já tinha visto (e gostado pra caramba) tinha sido o "Get out"/"Corra!", depois fui para o "The shape of water"/"A forma da água", e agora para um gênero bem diferente dos outros dois, com "Lady Bird".
Lady Bird é a denominação que nossa protagonista usa; talvez não goste do nome que seus pais escolheram (como não gosta de muitas coisas relacionadas com seus pais), ou queira ser diferente das massas, não sei. Mas o que posso afirmar sobre Lady Bird é que ela não é uma personagem idealizada, na verdade parece ser uma menina bem difícil de lidar. Em muitas ocasiões é egoísta, tem vergonha da sua família, critica a aparência do irmão e da namorada, procura transparecer grandeza para ser aceita pelas amigas mais populares, fica brava com seu primeiro namorado quando descobre que ele é homossexual, diz mentiras sobre sua professora (que ela gostava bastante) simplesmente para parecer cool. Quando perguntam aonde ela mora, diz que vive "no lado errado do trilho do trem", ou algo do tipo, querendo dizer que vive na parte mais pobre de Sacramento.
Sacramento, na costa oeste do país, é um grande problema para Lady Bird. Enquanto muitos aparentam gostar do lugar, da escola, do emprego e da faculdade, ela simplesmente quer sair da escola e conseguir alguma bolsa para estudar em NYC. Mas, mesmo com todos os problemas de caráter da personagem, e com todas as suas reclamações com seus white girl problems, a gente começa a entender algumas coisas que ela faz. A transição da escola para a faculdade é bem importante no filme, a situação financeira dos pais e as tensões dentro de casa. Sexo e drogas, obviously, e sem contar a figura do garoto que tenta ser cool lendo livros de história no meio de uma festa (ninguém consegue ler no meio de uma festa, vamos ser sinceros), critica o capitalismo e fuma apenas cigarros enrolados por ele mesmo (claro, também tem que mentir sobre sua virgindade e ser mau de cama).
Gostei bastante do final do filme, admito que na metade não estava gostando tanto, mas ainda fico meu Frances Ha. É um filme 7/10, talvez até menos. See you mates.
Então, eu assisti à "A forma da água"/"The shape of water" do Guillermo del Toro.
Sim, eu fiquei um bom tempo sem escrever nada aqui no blog, principalmente pela enxurrada de trabalhos e provas na faculdade, trabalho, papelada do meu intercâmbio; mas também simplesmente pelo fato de eu não ter assistido a muitos filmes e lido muitos livros. Depois de ter ficado um bom tempo sem consumir nada de cinema, apenas começando algumas séries whatever, eu decidi sentar e ver qual era desse último filme do del Toro, esse que ganhou o Oscar e tudo mais.
Já vou dizendo que não sou o maior fã de ficção científica; mas sou admirador de coisas estranhas, diferentes e que brinquem com a aversão ao estranho, e de certa forma foi isso que encontrei na película do gênero com um clima de Guerra Fria e um monstro que me lembrou muito de HellBoy. O filme é bonito (não sei se esse seria o melhor adjetivo para descrevê-lo, mas vou ficar com bonito mesmo), porém a beleza nem sempre é apresentada na sua forma tradicional; em "A forma da água", Del Toro utiliza uma bela escolha de fotografia, cenário e estética para construir um universo com muita personalidade.
A história principal não é muita coisa, na verdade é bem clichê; uma das funcionárias responsáveis pela limpeza de uma base governamental dos EUA durante a corrida armamentista se apaixona por uma das "experiências" com a qual o governo está lidando. "A experiência" é na verdade um monstro marinho, uma mistura de homem com anfíbio, capturado pelo governo americano em um rio na América do Sul (vou acreditar que seja na Amazônia). Os nativos acreditavam que o "homem anfíbio" era um tipo de divindade, um deus.
O brilho do filme está nos detalhes, e principalmente da índole e personalidade de cada personagem, por mais raso que ele seja. Mesmo um personagem que apareceu apenas uma vez ao longo do filme inteiro, que é o exemplo do marido da Zelda, é construído de forma "despreocupada" através de relatos da própria Zelda para a Elisa (protagonista) enquanto estão trabalhando. O modo que descobrimos a orientação sexual de Giles, ilustrador e vizinho de Elisa, é de uma sutileza e simplicidade incrível.
O fundo histórico, por mais que seja o que movimentou a história, não recebe tanta ênfase ao longo da trama. Alguns espiões russos, um cientista que aparentemente trocou de lado, etc. Mas, com relação ao contexto histórico, o que mais me chamou a atenção foi um pequeno detalhe que passou despercebido para um amigo meu que já havia assistido ao filme: quando Giles leva sua ilustração para uma fábrica (não sei dizer do que) e recebe a ordem de mudar a cor da gelatina (que era vermelha). Talvez eu esteja indo longe demais, mas acho que isso seria uma "repugna" ao comunismo da URSS, sendo transmitido através da aversão a uma cor característica do movimento.
O vilão é muito bem construído, um personagem muito fácil de ser odiado; machista, "dono" da casa, grande representante da família "tradicional" que os EUA tentavam vender na década de sessenta, tenta assediar as funcionárias, possui um sentimento de ódio pela criatura, e por aí vai.
Filme bem massa, confesso que estava esperando algo mais psicológico/filosófico, e acabei recendo uma aventura um pouco diferente. See you mates.
Divines (2016) - um tapa de luva na meritocracia e na vida baseada apenas nas escolhas.
Divines (2016) é um filme que nos mostra uma Paris não tanto retratada na cultura geral; a parcela da cidade e da vida em sociedade que muitas entidades tentam esconder. O tema abordado não é novo, já vimos isso em La Haine (Mathieu Kassovitz), talvez um dos filmes que ficou mais popular por retratar a realidade nos Banlieues de Paris. Os Banlieues são distritos que se encontram ao redor do centro de Paris, mais conhecidos como guetos; muitos imigrantes acabam escolhendo morar nesses locais devido ao custo de vida e muitas vezes pela segregação da sociedade parisiense. Esses locais foram cenários de muitas revoltas (na década de oitenta e depois em 2005) contra a intervenção da polícia nessas comunidades, principalmente por parte de jovens (barravam a intervenção da polícia com pedras, queimavam carros,etc). Entender a situação nada favorável para o desenvolvimento saudável de uma criança e adolescente nesse ambiente é algo de extrema importância para entender a motivação das personagens ao decorrer da trama do longa.
Dounia e Maimouna são duas amigas com pais imigrantes, aparentemente muçulmanas, residentes de um gueto muito pobre, praticantes de pequenos furtos e com uma vontade incessante de ascensão social. No caso de Dounia, a protagonista do filme, a família instável é um grande fator para entendermos a sua situação atual; mesmo jovem, ela precisa cuidar da mãe bêbada, prover dinheiro, comida e água para casa. Entendemos o papel de Dounia na comunidade pobre em que mora com apenas algumas breves cenas no início do filme - ela mandando um menino parar de atormentar um cachorro, colocando a mão nos ombros de uma senhora limpando roupas, dando um pote de Nutella para uma criança e, ao final, preparando um banho para sua mãe em uma casa que não possui saneamento básico. Pelo pouco que aparece, entendemos que o pai de Dounia é drag queen, e ajuda a fornecer dinheiro para a casa do mesmo modo que a filha.
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| fonte: IndieWire |
A família de Maimouna não teve tanto espaço no filme, conseguimos perceber apenas a grande motivação do pai com relação à religião, e a vontade de colocar a filha no caminho correto, mesmo com a realidade que os envolve. Mesmo quando as duas praticam pequenos furtos no supermercado, conseguimos entender a inocência no íntimo de cada uma, vemos a vontade de viver em um mundo melhor e de poderem apreciar as pequenas coisas da vida. Longe de toda essa realidade, Dounia e Maimouna encontram um pequeno refúgio ao ficarem suspensas em cima de um teatro usado para apresentações de dança; mas nunca, em hipótese alguma, podemos dizer que esse é um filme sobre a garota que é pobre, sofre em sua casa, mas depois consegue melhorar de vida com a dança. Não, esse filme é diferente. Ambas admiram a traficante da região com olhos marejados, e pensam em como seria a vida delas trabalhando para a mesma, conseguindo comprar os produtos que sempre sonharam. Um Iphone, um tênis da Reebok, comidas de primeira qualidade, etc. Motivadas por isso, ambas começam a vender drogas em pontos específicos para Rebecca.
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| fonte: fimlaluation |
Acho que não preciso dizer que o filme é Francês. O elenco é sensacional, principalmente Oulaya Amamra (Dounia), atriz que teve maior participação no filme. Ela consegue criar uma personagem tão carismática, que sentimos vontade de consolá-la ao longo de toda a trama. Por favor, deem uma chance para Divines. Esse é um excelente tapa de luva para as pessoas que acreditam na suprema meritocracia, e que a vida de todos os indivíduos é baseada nas escolhas, sem seres moldadas pela sociedade que as cercam. Em suma, um ótimo filme.
While We're Young e sorvete de avocado.
Se ao longo do filme você não entendeu qual é o cerne da trama, a última cena de While We're Young consegue comprimir tudo em alguns cortes de segundos de duração. Ultimamente eu estou consumindo um tipo de conteúdo, tanto na literatura quanto no cinema, que tenha relação com a minha vida, ou que pelo menos eu consiga ao final do livro/filme sentir algo novo, diferente, inspirador ou revelador. Por isso que adoro os livros do Karl Ove - pelo mesmo motivo estou adorando o trabalho da Greta Gerwig; penso de forma diferente e vejo a minha vida através de uma nova lente (toda arte faz isso, né?).
While We're Young tem a mesma direção dos dois últimos filmes mecionados aqui no blog (Frances Ha e Mistress America), Noah Baumbach. No elenco encontramos alguns nomes já conhecidos - alguns que não me agradam e outros que relacionei com trabalhos anteriores. A atuação do Ben Stiller como Josh foi a peça que não me agradou, não sei por que, mas acho que sempre existirá apenas um filme do Ben Stiller que eu gosto: The Secret Life Of Walter Mitty. Não que a atuação seja ruim, mas quando vejo qualquer filme dele sempre tenho a sensação de ser o mesmo personagem; acho que a atuação carece de personalidade. Naomi Watts também foi meio água com açúcar; passou e nem vi. O outro casal de atores me agradou até, um deles é o carinha que fez Frances Ha (ou mais conhecido por alguns como o novo vilãozão do Star Wars), Adam Driver. Amanda Seyfried que fez uma ótima hipster, não teve tanto espaço no filme, mas mandou bem (melhor que os protagonistas em minha opinião).
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| fonte: http://while-were-young.com/ |
Josh (Ben Stiller) está no longo (alguns dizem preguiçoso) processo de produzir um documentário por mais de dez anos; aparentemente movido pelo sucesso de um primeiro trabalho, ele passa por um esforço mental e físico para tentar produzir esse novo filme. O problema é que a produção torna-se uma desculpa, o tema é fraco, chato, entediante e sem uma voz para falar com o público. Junto com essa luta no trabalho, Josh e Cornelia (Naomi Watts) vivem rodeados por um sentimento de estranhamento por estarem cercados de casais de amigos com filhos, que constantemente perguntam se eles irão ou não ter um bebê. Ambos estão na casa dos quarenta e não sabem o que realmente querem; já tentaram ter filhos, e o que consegui entender com relances de menções que o filme faz é que problemas de infertilidade incapacitaram tentativas prévias. Mas, ao mesmo tempo, eles se perguntam se aproveitam a vida do jeito que deveriam, ou do jeito que costumavam aproveitar.
Esse fragmento do filme retrata muito bem a impotência que temos com relação ao tempo. Josh e Cornelia são como nós, abismados pela velocidade que a vida passa e com dúvidas com relação ao que fazer com esse tempo que temos em mãos, quando eles se deram conta já estavam com quarenta anos. Com isso tudo que o plot do filme, pelo menos um deles, aflora. Josh e Cornelia conhecem Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried), um casal hipster, que produz sorvete de avocado, constrói os próprios móveis, tem coleção de vinil e andam de patins. Os dois, que antes não estavam sabendo o que fazer com o tempo, ficam deslumbrados com a vida do casal vinte anos mais jovem. Aí o filme aborda algo bem interessante também - principalmente com o papel do Jaime; a falsidade e o modo artificial que alguns escolhem viver para chegar a determinado lugar. Mesmo assim eu queria muito provar um sorvete de abacate.
O filme é legal, talvez o final foi meio "jogado" ao vento. Definitivamente não comece por esse filme do Noah Baumbach, comece for Frances Ha, porque esse filme é lindo pra cace...
Mistress America - já quero uma camiseta da Greta Gerwig.
Meu fascínio pela Greta Gerwig começou quando conheci Frances Ha, através de um amigo e professor de Inglês que é muito aficionado por cinema. Gostei do estilo dela, da vontade de se erguer ao redor de muitos, dos roteiros que tratam em suma sobre as pessoas e suas relações com as expectativas da sociedade. Mistress America conta com o mesmo diretor de Frances Ha, Noah Baumbach (namorado? da Greta), e roteiro escrito em conjunto com a Greta Gerwig (como em Frances Ha). Mistress America não é tão bom quanto Frances Ha, talvez devido ao seu final, mas acredito que conseguiu ser um filme com personalidades fortes e um roteiro, no mínimo, concreto.
O contexto, um dos que eu mais adoro, é da vida em Nova York - principalmente de dois núcleos diferentes de vida. Em um deles, Tracy (Lola Kirke) está com 18, cursando a universidade em Nova York e se sentindo perdida no meio de tantos rostos estranhos. A Tracy é uma personagem bem instigante, mesmo depois de acabar o filme não sei se gosto dela, mas acredito que ao menos entendo seus motivos. Um dos maiores méritos do curso de escrita e literatura da tal universidade é entrar em um clube egocêntrico de escrita de short stories; ela e um amigo (na verdade ela quer mesmo é ficar com o cara), não diferente das outras pessoas do curso, querem muito fazer parte da sociedade dos douchebags.
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| fonte: BIFF.no |
No outro núcleo, encontramos Brooke (Greta) com quase trinta anos, trabalhos variados e (kind of) irmã emprestada da Tracy. Achei a personagem complexa (como todos somos) porque, novamente, como aconteceu com a Tracy, não sei se consigo escrever algo concreto para explicar sua personalidade. Por isso que é tão incrível - descrever uma pessoa é uma das coisas mais difíceis de se fazer, e o filme consegue retratar muito bem essa inconstância dentro de cada um de nós.
Vocês já viram Lady Bird, quero muito ver essa semana ainda. See you mates.
Everything sucks! - and I said, "What about Breakfast at Tiffany's?".
Enquanto aguardo o início da aula na lanchonete do prédio mais isolado da minha faculdade, decidi escrever ao som do bip do micro-ondas e da sensação do ar-condicionado na minha nuca, uma resenha para essa série bacana que acabei ontem à noite. Everything sucks! é uma série que me fez pensar se quando eu estiver mais velho vou conseguir encontrar alguma produção sobre a adolescência da minha geração.
A produção da Netflix toma como plano de fundo os anos noventa, com seus metros incontáveis de fita VHS e as marcantes bandas punk. Tudo se passa em Boring, Oregon; sim, o nome da cidade é Boring mesmo. Luke entra no high school, junto com seus amigos McQuaid e Tyler, e começam uma nova jornada de conhecimento sobre várias facetas de suas vidas. Obviamente, como é marcante dessa transição entre infância e adolescência, a maioria das descobertas estão relacionadas com o mundo sexual/tentar encontrar seu espaço. Mas, o característico primeiro contato com o álcool também está presente (sem mencionar a tentativa de ficarem chapados com eggnog). Os três logo tentam se encaixar em algo dentro da escola, e acabam entrando, digamos, no clube de cinema e filmagem.
A série me fez pensar em como as tecnologias realmente demoram para chegar no Brasil, ainda mais nos anos noventa. Se eu pensar um pouco no início da minha infância (2004, 2005), consigo lembrar de elementos que estavam presentes na série (que se passa em 1996); lembro perfeitamente da locadora de fitas VHS que ficava perto da minha casa na pequena cidade que eu nasci (aposto que você também deve ter aquela fita verde do Rei Leão aí na sua casa).
A trilha sonora é muito boa; tem Oasis (já curti mais do que curto ultimamente), The Offspring (muito cool, estava escutando enquanto caminhava para uma aula esses dias), Deep blue something (and I said, "What about Breakfast at Tiffany's?"); musicalmente os anos noventa foram foda.
Talvez um erro da série seja querer abrangir muitos plots em apenas dez episódios, algumas tramas que foram abertas ficam soltas ou simplesmente esquecidas. O modo de retratar a descoberta sexual, e também de externalizar os pensamentos de alguém que vive com dúvida sobre sua orientação sexual, é bem sutil.
Alguém aí já viu? See ya mates.
A série me fez pensar em como as tecnologias realmente demoram para chegar no Brasil, ainda mais nos anos noventa. Se eu pensar um pouco no início da minha infância (2004, 2005), consigo lembrar de elementos que estavam presentes na série (que se passa em 1996); lembro perfeitamente da locadora de fitas VHS que ficava perto da minha casa na pequena cidade que eu nasci (aposto que você também deve ter aquela fita verde do Rei Leão aí na sua casa).
A trilha sonora é muito boa; tem Oasis (já curti mais do que curto ultimamente), The Offspring (muito cool, estava escutando enquanto caminhava para uma aula esses dias), Deep blue something (and I said, "What about Breakfast at Tiffany's?"); musicalmente os anos noventa foram foda.
Talvez um erro da série seja querer abrangir muitos plots em apenas dez episódios, algumas tramas que foram abertas ficam soltas ou simplesmente esquecidas. O modo de retratar a descoberta sexual, e também de externalizar os pensamentos de alguém que vive com dúvida sobre sua orientação sexual, é bem sutil.
Alguém aí já viu? See ya mates.
"Master of None": New York, trabalho, amigos e abraços.
(recomendo assistir bebendo vinho)
Decidi de forma muito aleatória começar uma série que, pelo menos pelo nome, não me chamaria tanto à atenção. Vi uma foto de landscape de New York no cartaz da série e decidi dar uma chance; desde Frances Ha, adoro qualquer filme que se passe nessa cidade (que seja bom, claro). Fiquei de boca aberta de tanta risada e reflexão com essa série extraordinária, acho que essa frase consegue resumir muito bem meu sentimento com essa produção. Em suma, se eu precisasse/quisesse resumir o conteúdo de "Master of None", poderia dizer que é uma mistura de drama com comédia, uma fotografia linda, personagens incríveis, críticas sociais (de forma engraçada e inteligente), representatividade de minorias (novamente de forma inteligente e engraçada), relacionamentos, conflito de gerações e pasta (na segunda temporada alguns episódios são gravados na Itália).
Em "Master of None", praticamente todas as situações ocorrem com Dev, um americano com descendência indiana, trabalha com atuação, mas não sabe se realmente quer isso (os jobs que ele consegue me lembraram muito o Joey de Friends; comercial de yogurt, apresentador de programa de culinária, etc) e, principalmente, um cara MUITO engraçado. Alguns amigos permeiam a sua vida em New York, mas os principais são: Arnold (I consider myself a feminist) e Denise (If you're born with a vagina, everybody knows that creepy dudes are just part of the deal).
No primeiro episódio da primeira temporada somos confrontados com alguns dilemas sobre nossas escolhas na vida, casar ou não, ter filhos ou não, como procuramos a felicidade nos dias atuais, etc. Mas, de forma geral, a situação da escolha do que fazer com a sua vida é muito retratada nesse piloto da série. Acho que "Master of None" consegue externar os anseios e angústias das pessoas de uma forma muito, at least, foda. Dev tem que cuidar de duas crianças durante todo o episódio, e ao passar de alguns acontecimentos durante o dia com elas, vemos a ideia principal que Dev tinha sobre ter filhos se desmoronar. Ele vê que na verdade não precisa daquilo pra ser feliz, e que não consegue ver sua vida daquele modo sete dias por semana, 365 dias por ano. E, no final do episódio, temos a cena mais engraçada EVER, eu fiquei rindo sozinho por um bom tempo (tudo bem que eu já tinha tomado um pouquinho de vinho).
O segundo episódio traz o conflito de gerações, pais e filhos, como as gerações anteriores tiveram uma vida mais dura que a nossa, e que todo o trabalho duro dos pais resultam na nossa satisfação de hoje. Dev e seu amigo Brian decidem levar os pais para jantar em um lugar fancy para darem mais atenção para seus pais. Só digo uma coisa: o pai do Dev é um dos personagens mais engraçados de toda a série.
Não quero comentar sobre todos os episódios, também porque acho que isso não é necessário, mas se tem uma coisa que MERECE uma menção é o episódio de número nove da primeira temporada (Mornings, S01EP09). Todo ele me lembrou muito daquele filme incrível e lindo "500 days of summer"; durante aproximadamente trinta minutos acompanhamos todas as manhãs em um período de um ano do Dev com a Rachel. Tudo é bonito, mas ao mesmo tempo (como no filme 500 days of summer) tudo é muito real, Dev e Rachel possuem um relacionamento retratado de forma orgânica. Esse é meu episódio favorito até agora, incrível mesmo. Engraçado e inteligente, como toda a série.
E óbvio: New York.
The sinner, um thriller bem massa.
Hoje, depois de oito episódios de tensão e sobrancelhas arqueadas, acabei a série (minisérie?) The sinner, que me lembrou muito uma produção da HBO chamada "The night of", com o mesmo clima sombrio de mistério e assassinato. Tenho que admitir que "The night of" é muito superior ao thriller da Netflix, mas a série me surpreendeu de forma positiva.
Cora é casada, tem um belo filho e trabalha com o marido e o sogro na empresa da família. Durante o primeiro episódio começamos a receber alguns insights sobre o passado de Cora, e como passou sua infância em uma casa de fanáticos religiosos. Ela vivia enclausurada, era conduzida a pensar que qualquer tipo de prazer era considerado pecado e que era culpada pela doença que sua irmã mais nova possuía. O simples fato de comer uma barra de chocolate era considerado pecado, e apenas mais um motivo para a doença de Phoebe (irmã de Cora) intensifiar-se cada vez mais.
Em um final de semana no lago, com pessoas se divertindo e música tocando, Cora corta uma pera para seu filho e se depara com memórias do passado. Sem saber por qual motivo, se levanta, empunha a faca que estava usando para cortar a fruta, e apunhala um homem que estava no lago sete vezes. O motivo: desconhecido até mesmo para quem cometeu o crime.
Todos os oito episódios são baseados nas investigações que buscam descobrir o motivo de Cora ter assassinado o homem no lago, sendo que nunca apresentou antecedentes criminais ou um passado obscuro (a não ser aquele com seus pais fanáticos). Principalmente pela visão de dois personagens compreendemos o que está acontecendo fora da prisão que Cora está; seu marido, Mason, e um detetive que busca ajudar no caso, Ambrose (interpretado pelo Bill Pullman, melhor ator da série na minha opinião).
A série é cool, curtinha; acredito que não vá ter outra temporada (do mesmo modo que "The night of") e tem um final que entrega o que deveria (não me decepcionei pelo menos). A Netflix tá começando a fazer umas coisas massas. See ya mates.
"A nightmare on Elm Street" (1984) - horror dos anos oitenta feels like.
Continuando com a minha maratona noturna de filmes clássicos de horror, ontem à noite assisti a "A nightmare on Elm Street" (sim, esse é aquele filme do Freddy Krueger, o carinha com o suéter vermelho e verde, cara queimada e navalhas no lugar da mão). O longa é de 1984 e apresenta elementos muito característicos dos anos oitenta (roupas, eletrônicos, cortes de cabelo, músicas, etc), sem mencionar os efeitos digitais que estavam ainda nos seus primórdios (então você tem que assistir a tudo com isso na mente, algumas cenas podem ser até engraçadas, mas sinistras ao mesmo tempo).
"A nightmare on Elm Street" mexe com um dos maiores e constantes medos do ser humano: pesadelos. Diferente de outros filmes de horror, onde o medo é imprevisível, neste filme sabemos exatamente quando o "monstro" vai atacar: a qualquer momento que alguém pegar no sono (preparem as xícaras de café e pílulas de guaraná). Freddy Krueger (parabéns para quem criou o visual do carinha, realmente ainda é assustador) tem total domínio sobre o mundo dos sonhos, e tudo o que ele faz nesse plano possui consequências em nosso mundo real. Dando um exemplo mais visual, se ele corta a pessoa ao meio no plano dos sonhos, a pessoa é cortada ao meio no plano real (simple as that).
Nancy é a garota que mais é atormentada pelo Freddy, vê muitos de seus amigos sendo assassinados por ele e tenta ao máximo não dormir para não ter que encarar seu maior medo (e perigo). Vou admitir que fiquei muito chocado com a primeira cena em que o Freddy Krueger realmente mata alguém, que acaba sendo uma das melhores amigas da Nancy. Depois de ver essa cena nunca mais digo que o Taratino usa sangue falso demais; realmente um banho de sangue misturado com o macabro. Algumas mortes são, digamos, muito (muito mesmo) peculiares, mas tudo pode ser relevado pelo fato de que em muitas teorias sobre esse filme, Freddy teria poderes paranormais. Falo teorias porque o final de "A nightmare on Elm Street" é bem duvidoso em alguns aspectos, e realmente deixa muitas dúvidas sobre o que estaria acontecendo. Não vou comentar nada para (se por algum acaso você ainda não viu o filme) você ter a mesma experiência que eu tive (no spoilers). Depois de acabar o filme fui logo na internet e achei um site totalmente dedicado à um artigo sobre teorias do seu final, então você já pode ter uma noção do que eu estou falando.
Como mencionei antes, todo o visual do filme é muito bem feito (para sua época), ver o Freddy Krueger encarando a câmera com uma máscara daquelas é realmente assustador. Não sei o que acontece com os filmes de horror atuais, mas antigamente as trilhas sonoras eram muito melhores (não vou nem comentar sobre a trilha sonora de Halloween, porque aquilo é obra prima), em "A nightmare on Elm Street" a trilha deixa tudo com um clima mais assustador. Um grande exemplo seria a trilha frenética que começa a tocar em todos os momentos em que Freddy Krueger está correndo atrás de alguém. O filme tem nota 7.5 no IMDB, not bad.
One, two, Freddy's coming for you.
One, two, Freddy's coming for you.
30 momentos e situações em que Friends me marcou.
Enquanto eu preparava uma atividade de warm-up para uma aula de Inglês hoje pela manhã, fiquei com uma grande nostalgia de Friends. Estava procurando alguns episódios que poderiam ser úteis e acabei revendo algumas cenas dos especiais de thanksgiving (dia de ação de graças). 2017 foi o ano em que eu comecei a assistir Friends de modo, digamos, organizado. Comecei pelo primeiro episódio e acabei todas as temporadas com um sorriso no rosto. Friends me fazia querer ser transportado para os sofás do Central Perk, morar no Brooklyn, não ter um celular para ficar checando a cada minuto (afinal eu estaria nos anos 90) e morar no apartamento da frente do meu melhor amigo. Enquanto eu assistia ao desenvolvimento de Ross, Rachel, Monica, Chandler, Joey e Phoebe eu me sentia parte do grupo dos amigos, como se você fosse um dos friends. Juntando esse sentimento de nostalgia com o fato de que achei muito legal fazer lista sobre as coisas, pensei em citar alguns momentos e situações em que Friends me marcou.
1. Ross deu o melhor nome para o seu macaco de estimação, eu ria em todos os momentos em que o Ross falava seu nome (Marceeel).
2. "Hoo. My. God." (leia com a voz mais irritante do universo, sim, a da Jenice).
3. As aulas de Francês do Joey.
4. Qualquer flashback que mostrasse o bigode do Ross na adolescência.
5. Chandler tentando fumar escondido do seu chefe no escritório.
6. "Smelly cat, smelly cat, it's not your fault" (é impossível não ler cantando).
7. O jogo de futebol americano em um dos episódios de thanksgiving.
8. Quando o Joey é contrato para ser dublê do Al pacino no chuveiro.
9. Phoebe interpretando uma figurante em "Days of our lives".
10. "How you doin'?".
11. Qualquer pessoa que fez qualquer piada sobre divórcio ou casamento com o Ross.
12. O dia em que o chefe do Ross rouba o sanduíche de peru que a Monica tinha feito para ele.
13. Chandler e Rachel lutando pelo melhor cheesecake de Nova York.
14. Unagi.
15. Ugly Naked Guy.
16. Entrevista do Joey para escolher quem vai ser seu/sua novo(a) roommate (depois que o Chandler decide sair).
17. Qualquer momento que envolva os patos do apartamento do Joey (não estou conseguindo lembrar como os dois acabaram adotando aqueles animais hahah).
18. Quando o Joey fica nervoso porque não comprou nada para o aniversário da Emma, e acaba fazendo uma leitura dramática de um livro infantil (essa cena é hilária).
19. Ross vestido de tatu porque não tinha conseguido arranjar uma fantasia de papai noel para o natal (holiday armadillooooo).
20. Chandler vestido de coelho rosa.
21. "Joey doesn't share food!".
22. Ross e o Joey tirando uma soneca juntos.
23. Joey turistando em Londres.
24. Chandler rindo das piadas do seu chefe.
25. Quando o Ross, no final do episódio, acha seu suéter e todos acabam descobrindo que ele era o homem misterioso que havia dormido com a Rachel.
25. "We were on a BREAK".
26. Ross casando em Londres e chamando o nome da Rachel.
27. Todos tentando descobrir onde o Chandler trabalha (acho que ninguém nunca vai saber disso).
28. Sempre quis provar o muffin do Central Perk.
29. A última cena do último episódio, quando Chandler pergunta onde eles vão ir tomar café, depois de dez temporadas sempre indo no mesmo lugar.
30. "I'll be there for you".
Uma madrugada com clássicos do horror.
Depois de atacar a geladeira e comer um iogurte de tiramisu e esquentar uma xícara de café, abri o blog para escrever sobre o primeiro filme que assisti nessa madrugada de filmes clássicos de horror que resolvi fazer (queria chamar os matesss, mas acabei lembrando que hoje é terça, ou quarta, se você é daquele tipo de pessoa que não precisa dormir para virar o dia hahaha). Escolhi SCREAM para começar, de 1996, um filme slasher de horror que traz tudo que você tem direito, de policial canastrão a diretor de high school que fica brincando com a máscara do serial killer na frente do espelho. Esse é um filme que faz várias menções aos filmes clássicos slashers que antecederam a sua produção, como "Friday the 13th", "A nightmare on Elm Street", "Halloween", etc. Em muitas vezes o filme até faz piada com as situações rotineiras desses filmes, muitas vezes até tendo um clima de quebra de quarta parede. Acho que quase todo mundo já deve ter visto Scream, nem que tenha sido quando estava passando no Corujão, se você foi criança nos anos dois mil, com certeza já tomou muito susto com a máscara característica do serial killer (cara, eu assistia filmes em VHS, tudo bem que foi apenas no início da minha infância, mas ninguém pode tirar isso de mim. Saudades). Eu não lembrava como o filme acaba, então ter descoberto o final do plot do serial killer em questão foi uma surpresa (pelo que eu me lembrava era outra pessoa). Também não lembrava que a Courteney Cox (a Monica do Friends) interpretava a jornalista intrometida do filme; pensar que ela estava gravando Friends quando fez esse filme. Não sei se vou conseguir assistir a mais algum filme, já são duas da manhã e eu tenho algumas coisas importantes para fazer amanhã; mas queria muito começar a assistir a Halloween (1978). Maratona de filmes de horror na madrugada rulesssss. See ya mates.
preciso de indicações

Começou a chover na minha cidade, meus planos de sair foram arruinados, preciso de indicações de filmes, alguém teria alguma? Vou assistir hoje e posso escrever minha opinião depois, thanks mates! :)
30 motivos para eu me arrepender de não ter assistido a segunda temporada de Stranger Things antes.
Por um motivo ainda desconhecido por mim, logo quando a segunda temporada de Stranger Things saiu eu fiquei muito desmotivado. Eu havia conhecido ST antes de toda a hype começar a crescer sobre a série, logo quando as pessoas ainda estavam especulando sobre o que seria aquilo. Uma das coisas que mais me apaixonou na primeira temporada é o clima muito baseado nas obras do Stephen King (na época eu estava viciado nos livros de terror do autor, Pet Sematary ainda é um dos meus livros de horror preferido), outro fator é a carisma gigantesca dos atores (Gaten Matarazzo sempre será meu ator mirim favorito). Quando acabei a primeira temporada eu estava sedento por uma continuação, mas quando ela chegou, não sei, não dei muita fé. Talvez minha estranheza fosse devido a algumas mudanças que ocorreram, tanto no elenco quanto no enredo. Mas, depois de alguns meses de espera e no momento em que meus instagram stories pararam de me mostrar apenas fotos dos episódios, fui sentar e assistir esse negócio. E não é que eu gostei mais que a primeira temporada; então decidi criar uma lista com alguns apontamentos sobre essa segunda temporada.
1. Já tive um cabelo muito parecido com o da Eleven.
2. A relação da Eleven com o Hopper é muito amor.
3. Dustin agora tem suas pearls, não parava de rir quando ele mostrava isso para o Lucas.
4. Referências ao período eleitoral de 84, com placas do Reagan.
5. Mad Max é uma ótima personagem, mesmo ela ainda não fazendo parte da party.
6. O clima do fliperama é muito cool no início do primeiro episódio.
7. O clima de "The exorcist" no episódio "The gate" com o Will (let me go!).
8. Dustin dando chocolate de Nugat para o baby demogorgon.
9. Fotografia analógica, início das filmadoras e câmera Polaroid da mãe do Mike.
10. Bob :(
11. Referência a It (livro do Stephen King) conectado com o passado do Bob.
12. Hopper compartilhando cigarros com a Joyce.
13. Só nessa segunda temporada percebi como a Winona Ryder é linda.
14. A montanha de Eggos com chantilly que o Hopper compartilha com a Eleven é de dar inveja.
15. Falando do Dart e do Dustin, grande referência aos Gremlins.
16. Só eu que adorei esse clima Alien de toda temporada, mas principalmente do episódio 8.
17. Halloween foi incrível, qualquer filme que me apresenta esse clima já ganha uns pontos na minha concepção.
18. A fotografia e o tratamento de cor estão incríveis, definem um traço mais característico ainda para a série, não lembro se a primeira temporada era tão bonita cinematograficamente falando.
19. Aquela plantação de abóboras, por mais sinistra que fosse, achei muito incrível.
20. A nova amizade do Dustin com o Steve ficou incrível, podem trazer mais Duffer brothers.
21. O Snow Ball no final do último episódio <3.
22. Novamente o trilho de trem de Stand by me, se você ainda não viu esse filme, deveria.
23. Dustin dando nome para as criaturas que queriam matar todo mundo (It's demodog).
24. Will e suas habilidade de desenhar um mapa da cidade em fragmentos, não sei se fui só eu, mas senti novamente uma referência a It, quando o garotinho lá constrói uma réplica do esgoto da cidade.
25. Cientista maluco que vê teorias em tudo (they saw a Russian girl) no clima de guerra fria.
26. Pais do Mike são uma piada, mesmo que o pai dele apenas durma ou faça pigarros e a mãe fique lendo romance brega na banheira.
27. Eleven badass no final.
28. Fantasia conjunta dos Ghostbuster no Halloween.
29. It's pure fuel.
30. A atuação de todo o elenco novamente está ótima.
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